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Câmara Municipal de Cascais apresenta proposta à Parpública para gerir o Autódromo do Estoril e mira a Fórmula 1

Dois homens observam a pista de corrida, com um mapa, um capacete e um modelo de carro de Fórmula 1 na mesa.

A Câmara Municipal de Cascais entregou à Parpública uma proposta integrada no plano para passar a administrar o Autódromo do Estoril, apostando na captação de um volume relevante de investimento privado para a estrutura. A informação foi divulgada pelo Jornal de Negócios, com base em entrevista ao presidente do município, Nuno Piteira Lopes.

Proposta de Cascais à Parpública para gerir o Autódromo do Estoril

O desenho apresentado prevê um contrato de gestão do direito de superfície do circuito com duração de 50 anos, com a possibilidade de prorrogação até 75 anos. Como contrapartida, Cascais propõe o pagamento de 12,5 milhões de euros, repartidos em prestações mensais ao longo de toda a vigência do acordo.

De acordo com o prefeito, o montante foi definido a partir das avaliações elaboradas pela própria Parpública, ainda que esses cálculos apontem para um valor um pouco mais alto. Para Piteira Lopes, já existem condições para que o Estado transfira ao município a gestão do autódromo.

O presidente da Câmara de Cascais sustenta a iniciativa no que classifica como um longo período de falta de investimento estatal em uma infraestrutura que considera estratégica. Ao Negócios, afirmou que o autódromo é um ativo importante não só para Cascais, mas também para Portugal.

Modelo de gestão em vez de compra, após tentativa de 2015

A abordagem atual não repete a estratégia seguida em 2015, quando a autarquia tentou comprar a sociedade responsável pela operação do circuito - uma operação que acabou rejeitada pelo Tribunal de Contas. Agora, a proposta passa por um modelo de gestão, mantendo a titularidade pública do ativo.

Investimento privado e requalificação do circuito e da área ao redor

Se a Parpública der aval ao plano, a etapa seguinte será abrir um concurso público internacional para escolher operadores privados dispostos a investir cerca de 150 milhões de euros na modernização do circuito e da área envolvente. Piteira Lopes afirmou ser “absolutamente necessário fazer intervenções em toda a infraestrutura”.

Fórmula 1 volta a estar no horizonte

Entre as metas assumidas pela autarquia está recolocar o Autódromo do Estoril no circuito internacional do esporte a motor. A volta da Fórmula 1 aparece como uma ambição explícita. “Se conseguirmos concluir as negociações no início de 2026 e lançar a parceria com privados ainda no primeiro semestre, em 2028 podemos estar em condições de receber a Fórmula 1”, afirmou Nuno Piteira Lopes ao Jornal de Negócios.

Para chegar a esse patamar, serão necessárias obras profundas na infraestrutura, incluindo áreas técnicas, espaços de apoio ao público e soluções de mitigação acústica - um tema sensível para as comunidades vizinhas e que, segundo o presidente da câmara, vem sendo continuamente postergado pela gestão atual.

Além da vertente esportiva, o documento de Cascais prevê ampliar o uso do espaço, com novas atividades ligadas à formação técnica, ao patrimônio automotivo e à ocupação de áreas do recinto que, hoje, não têm qualquer utilização.

Em paralelo, o município negocia com o Ministério da Justiça a compra de terrenos contíguos ao circuito, com cerca de 25 hectares. Nesse caso, a intenção é viabilizar uma grande área de estacionamento para dar suporte a eventos de maior porte.

Atualmente, o Autódromo do Estoril permanece totalmente sob controle do Estado, por meio da Parpública, que em 2022 passou a deter 100% do capital da sociedade gestora, após comprar a participação que era da imobiliária Grão Pará.

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