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Imagens de comida nas redes sociais podem ajudar quem faz dieta a comer menos, diz estudo da Universidade de Bristol e da University at Buffalo

Jovem sentado à mesa com salada, telefone, anotações, caixa de fast food e fita métrica na cozinha iluminada.

Percorrer as redes sociais muitas vezes lembra passar repetidamente em frente à vitrine de uma padaria. A cada rolagem aparecem bolos com cobertura, chocolate escorrendo e fast food ainda “chispeando” - tudo em sequência interminável.

À primeira vista, isso parece a fórmula perfeita para cair em tentação. Só que uma nova linha de pesquisa indica que o mecanismo pode ser mais complexo. Para muita gente - sobretudo para quem está tentando fazer dieta - ver comida online pode, na prática, contribuir para comer menos.

Um estudo conduzido pela Universidade de Bristol, em parceria com pesquisadores da University at Buffalo, sugere que imagens de alimentos funcionam como uma espécie de substituto mental. Em vez de empurrar as pessoas para a indulgência, esses estímulos visuais podem diminuir o desejo real.

Telas substituem a comida de verdade

Conteúdos de comida dominam os ambientes digitais. Entre publicações nas redes sociais e blogs culinários, é comum esbarrar o tempo todo em fotos de pratos, lanches e sobremesas. Esse fenômeno acontece ao mesmo tempo em que cresce a atenção a dietas e ao controle de peso.

Os pesquisadores quiseram entender como essas duas tendências se combinam. Em diferentes experimentos, participantes navegaram por conteúdos relacionados a alimentos e, mais tarde, tiveram acesso a comida de verdade.

A intenção era verificar se observar alimentos na tela aumentaria ou reduziria o quanto as pessoas realmente comeriam.

Os resultados apontaram para um padrão inesperado: a exposição visual nem sempre termina em consumo. Em determinadas situações, ela pode fazer as vezes do ato de comer.

Pessoas em dieta procuram comida pouco saudável

Um dos achados centrais do trabalho é que quem está tentando restringir a alimentação não necessariamente foge de conteúdos tentadores. Pelo contrário: tende a buscá-los ativamente.

Isso pode soar paradoxal, mas a psicologia oferece uma chave de leitura. Quando alguém tenta suprimir pensamentos sobre comida, esses pensamentos podem voltar com mais força - o chamado efeito rebote.

Com isso, pessoas em dieta passam a prestar mais atenção em alimentos calóricos, sobretudo naqueles que estão tentando evitar. Nos experimentos, elas clicaram mais e ficaram mais tempo assistindo a vídeos de comidas indulgentes do que a opções mais saudáveis.

“Aqueles em dieta claramente abraçaram essa forma de ‘forrageamento digital’, passando mais tempo olhando a sobremesa indulgente”, observou a Dra. Esther Kang, primeira autora do estudo.

“Além disso, ao contrário do que poderia ser esperado, quando tiveram a chance de realmente comer um pouco de chocolate, eles exerceram muito mais autocontrole do que os que não estavam em dieta.”

Imagens podem saciar o desejo por comida

O resultado mais curioso aparece depois que a tela sai de cena. Quando os participantes receberam comida real mais tarde, quem havia passado mais tempo vendo conteúdo indulgente acabou comendo menos.

Esse efeito se relaciona com a ideia de saciação cruzada entre modalidades. Em termos simples, um estímulo por um sentido - como a visão - pode diminuir a vontade ligada a outro - como o paladar.

“Nós nos referimos a esse processo como ‘saciação cruzada entre modalidades’. As pessoas conseguem satisfazer parcialmente o desejo de comer ao consumir alimentos visualmente, e não fisicamente”, explicou o coautor do estudo, Dr. Arun Lakshmanan.

“Isso ajuda a explicar por que interagir com conteúdo de comida nas redes sociais nem sempre se traduz em maior consumo.”

Em outras palavras, o cérebro pode interpretar a exposição visual como uma experiência parcial de alimentação - o que reduz o impulso de comer de fato.

Como o cérebro reage a imagens de alimentos

O estudo também dialoga com pesquisas anteriores sobre as reações do cérebro diante de imagens de comida. Pistas visuais podem acionar sistemas de recompensa e despertar desejos. Porém, quando entram em cena metas de restrição, os mesmos estímulos podem levar a um desfecho diferente.

Em vez de aumentar o apetite, a exposição repetida pode gerar familiaridade ou até uma sensação leve de satisfação.

Alguns trabalhos indicam que imaginar a ação de comer o mesmo alimento várias vezes pode reduzir a quantidade consumida depois.

Isso ajuda a entender por que participantes em dieta se comportaram de forma distinta dos que não estavam em dieta: os objetivos pessoais moldaram a resposta às mesmas imagens.

“Pode parecer contraintuitivo, mas nossos achados mostram que as pessoas, especialmente aquelas que tentam controlar a dieta, podem usar conteúdo visual de comida como uma ferramenta de autorregulação. Interagir com imagens de alimentos pode ajudar a satisfazer desejos sem consumo real”, afirmou a Dra. Kang.

“No ambiente digital atual, em que conteúdo de comida é altamente acessível, esse tipo de engajamento visual pode oferecer uma forma simples e não invasiva de apoiar objetivos alimentares.”

Usar imagens para controlar desejos

Fazer dieta é algo comum: milhões de pessoas tentam administrar o quanto comem. A indústria de emagrecimento responde a essa demanda, mas o estudo sugere que hábitos digitais cotidianos também podem influenciar.

Em vez de eliminar totalmente esse tipo de conteúdo, seria possível usá-lo de maneira planejada. Navegar por fotos e vídeos de comidas indulgentes pode funcionar como uma estratégia de baixo esforço para lidar com a vontade.

“O emagrecimento é um grande negócio. Os resultados do nosso estudo sugerem que pode haver uma vasta quantidade de material online gratuito que poderia ajudar pessoas que estão tentando resistir a desejos pouco saudáveis e se manter longe desse tipo de guloseima”, disse a Dra. Kang.

“Embora, claro, não estejamos dizendo que imagens poderiam substituir totalmente a vontade de comer chocolate ou outros alimentos indulgentes, elas talvez possam ajudar quem está de olho nas calorias a reduzir ou evitar exageros.”

A proposta não substitui uma alimentação equilibrada nem hábitos consistentes no longo prazo. Ainda assim, ela reposiciona a ideia de tentação digital: em um mundo em que comida está por toda parte nas telas, às vezes olhar pode ser o suficiente.

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