O olhar dele amolece quando se aproxima. Com uma mão na sua cintura e a outra sustentando o seu queixo, ele puxa você para perto. Você encara os olhos dele e percebe que as pupilas ficaram grandes, intensas, famintas.
Assim acontece em incontáveis romances: pupilas dilatadas costumam aparecer como recurso de imagem para sugerir excitação sexual. E não é raro encontrar, na internet, conselhos dizendo que pupilas “aumentadas” seriam um sinal certeiro de que alguém de quem você gosta também está a fim de você.
Mas o que a ciência diz?
A verdade é que sim: as pupilas realmente tendem a dilatar quando estamos excitados. A seguir, o motivo.
O que é a pupila?
A pupila é uma abertura na íris (a parte colorida do olho) que direciona a luz para dentro do globo ocular e até a retina.
Em condições normais, esse orifício mede cerca de 2–4 milímetros de diâmetro sob luz forte e 4–8 milímetros no escuro.
A pupila parece preta porque é, na prática, a cor do interior do olho. Ao redor dela existem dois músculos minúsculos na íris, controlados de maneiras diferentes.
O músculo que fica na borda da pupila funciona como um esfíncter. Quando é ativado pelo sistema nervoso parassimpático (às vezes chamado de sistema de "repouso e digestão"), ele se contrai e fecha a pupila.
Mais externamente ao esfíncter, há outro músculo que atua como se fossem molas prendendo a lona de um trampolim.
Quando esse músculo é acionado pelo sistema nervoso simpático (o sistema de "luta ou fuga"), ele encurta e amplia a pupila.
Suas pupilas e os seis “f”
Há dois mecanismos distintos que fazem as pupilas dilatarem.
O primeiro ocorre pela estimulação direta do sistema nervoso simpático, levando a pupila a dilatar (aumentar). Isso é acionado quando você precisa ou quer:
- lutar
- fugir
- se alimentar
- fazer sexo
- buscar uma "dose" (de drogas ilícitas como cocaína ou metanfetamina)
O segundo mecanismo acontece quando os sinais dos nervos parassimpáticos que chegam ao músculo esfíncter da pupila são interrompidos. Isso é ativado quando você precisa ou quer focar (número 6).
Em conjunto, isso é por vezes chamado de "os seis f".
Então, é igual para todo mundo?
Uma meta-análise com 550 homens heterossexuais, 403 mulheres heterossexuais, 132 mulheres lésbicas, 124 homens bissexuais e 65 homens gays relatou que a dilatação da pupila se relaciona com o seu sexo e com as suas preferências sexuais.
No geral, o estudo concluiu que as pupilas dos homens dilatam de forma estritamente alinhada às suas preferências sexuais, enquanto nas mulheres a dilatação tende a variar mais.
De acordo com o estudo, as pupilas de homens heterossexuais dilataram mais diante de imagens eróticas de mulheres, e as pupilas de homens gays dilataram mais diante de imagens eróticas de homens.
No entanto, as pupilas de mulheres lésbicas também dilataram mais ao ver imagens eróticas de homens, e as pupilas de mulheres heterossexuais dilataram diante de imagens eróticas de homens e de mulheres.
Pupilas grandes são mais atraentes?
Curiosamente, um estudo com 60 jovens adultos (entre 18 e 26 anos) observou que pupilas com 5 milímetros de diâmetro foram avaliadas como as mais atraentes.
Uma pupila de 5 milímetros não é o esperado em ambientes de luz forte. Será que nos sentimos atraídos por tamanhos de pupila que já vimos antes, na penumbra típica de um contexto íntimo?
A noção de que pupilas maiores seriam atraentes não é recente. Na Itália renascentista, mulheres pingavam colírio feito de uma planta venenosa chamada Atropa belladonna (belladonna significa "mulher bonita" em italiano) para dilatar as pupilas. Isso criava um olhar bem aberto, "sedutor" (e, infelizmente, era algo bastante perigoso).
A planta tem uma substância chamada atropina, que ainda hoje é usada com segurança por oftalmologistas e optometristas para dilatar as pupilas em exames oculares ou em cirurgias.
Entrando em sintonia
A dilatação da pupila também participa de interações sociais e interpessoais. Estudos indicam que a administração de ocitocina (um hormônio associado a vínculo e confiança) intensifica as respostas pupilares a expressões emocionais, o que sugere maior sensibilidade a pistas sociais.
A sincronia na dilatação pupilar entre pessoas foi associada a melhor trabalho em equipe e a atração mútua, refletindo estados de excitação compartilhados.
Esse fenômeno, às vezes descrito como "mimetismo pupilar" ou "contágio pupilar", se alinha a outras sincronizações autonômicas, como a frequência cardíaca.
Tudo isso mostra como grande parte da conexão e da atração acontece de forma inconsciente.
O que mais pode dilatar as pupilas?
Diversas substâncias e condições médicas também conseguem alterar o tamanho das pupilas. Estimulantes como Ritalina e Adderall, anticolinérgicos (frequentemente usados no tratamento da doença de Parkinson e da doença pulmonar obstrutiva crônica) e certos medicamentos como fenilefrina (Sudafed PE) e benzodiazepínicos como alprazolam (Xanax) podem causar dilatação pupilar.
O mesmo pode acontecer com drogas ilícitas como cocaína, cetamina, MDMA, LSD e cannabis.
Algumas condições neurológicas ou o glaucoma de ângulo fechado, além de situações estressantes, podem fazer com que as pupilas permaneçam dilatadas (um quadro conhecido como midríase).
Se você estiver com dilatação prolongada das pupilas, procure seu médico.
Excitação intelectual ou emocional também dilata a pupila?
Quando você tenta resolver um problema de matemática, quando escuta com atenção enquanto anota, ou quando ouve a música do seu cantor favorito, suas pupilas aumentam.
A antecipação de recompensas, conflitos emocionais e o processamento de estímulos carregados de emoção - como filmes assustadores ou certos sons gatilho - também elevam o tamanho das pupilas.
Ansiedade, dor e até condições como fibromialgia também foram associadas a pupilas dilatadas.
Contexto é tudo
É fundamental enfatizar que pupilas dilatadas não significam automaticamente que alguém está excitado. Para interpretar a dilatação da pupila, o contexto importa - e não dá para presumir que pupilas grandes querem dizer que a pessoa está atraída por você.
Consentimento verbal e outros sinais comportamentais são essenciais.
Se você está tentando entender se a outra pessoa gosta de você, por que não perguntar diretamente?
Amanda Meyer, professora sênior, Anatomia e Patologia, College of Medicine and Dentistry, James Cook University, e Monika Zimanyi, professora associada de Anatomia, James Cook University
Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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